No inicio de 2011, iniciei o curso de Tapeçaria de Recorte, no
Centro de Desenvolvimento da Expressão do RS,
ministrado pela professora Vera Becker.
Encontrei o texto abaixo, que define bem a técnica:
"Recortar tecidos e compor as formas, cores e texturas sobre uma base
também de tecido. Bordados e pontos com fios de algodão, lã,
buscando efeitos nas formas da obra. Retalhos de pano, sobras de costureira, tais como seda, renda, filó, algodão, ou veludo, são a matéria prima necessária."
É um trabalho executado artesanalmente.
Para mim, é o mosaico em tecido.
Iniciei o trabalho abaixo em setembro e conclui em novembro de 2017. A ideia inicial era fazer uma tapeçaria de recorte, remontando a pintura do Ivonaldo com pequenos retalhos de tecidos. No entanto fui recobrindo a obra com linha, em uma espécie de bordado, acabei achando interessante e que culminou nesta releitura. Um pouco de trabalho, mas acho que valeu.
Pretendia remeter para o Ivonaldo, a fotografia desta releitura, mas não foi possível pelo seu falecimento em 24 de junho de 2016.
Ivonaldo Veloso de Melo, grande nome da arte naïf brasileira que identifica artistas independentes e autodidatas sem formação sistemática, e que dominam algumas técnicas que lhes permitem total liberdade de expressão, da qual o informalismo acadêmico tem características marcantes. Nascido em Caruaru em 1943, começou a se dedicar à pintura em 1966. Esteve na Europa e se tornou um dos maiores expoentes da arte naif brasileira no exterior, retratando com sua arte cores alegres as cenas pitorescas e charmosas o cotidiano da sua terra natal. É reconhecido pela crítica brasileira. A vida e obra do artista foi homenageada no livro “Ivonaldo, um artista naif”, de autoria de Jacques Ardies, e com texto de Jorge Anthonio e Silva. O livro relata em 225 páginas e 150 reproduções a cores, a trajetória de Ivonaldo, sua infância em Caruaru, a mudança para São Paulo, as estadias na Europa e enfim sua definitiva instalação em Olinda. Ivonaldo dizia: “Gosto de pintar a beleza, a bondade e a simpatia do povo brasileiro”.
Pintura de Ivonaldo, na qual me inspirei para esta releitura.
Vendedor de Melancias , 1985 , Ivonaldo Veloso de Melo



Iniciei o trabalho abaixo, através de uma base de tecido de brim, na cor laranja. Fui bordando e inserindo os tecidos dando a forma estabelecida. Utilizei tecidos variados entre eles o tecido metalizado que deu forma aos utensílios pendurados na régua bordada. O batedor foi construído com cordas de violão, pela maleabilidade que apresenta. O viés marrom que contorna o tecido foi afixado com o ponto russo. A moldura construída em bambu de jardim. As quatro pontas da moldura foi trespassada com pequenos pinos feitos do próprio bambu, reforçadas com amarração de cordão encerado. O tecido foi preso à moldura através do cordão encerado preso a um botão de couro. Para conservação utilizei verniz brilhante. É um presente para a minha filha Luana, uma pessoa muito especial e que está cursando Gastronomia, e talvez sirva para decorar alguma parede de sua nova casa. O poema, segundo consegui descobrir, é de autoria de Mia Couto, biólogo e escritor moçambicano. O texto foi bordado e ilustrado com pequenos ramos laterais, também bordados. A moldura foi construída da forma já relatada. Gosto de utilizar o bambu, pois, além de bonito, é um material rapidamente renovável. Trago da praia, onde tenho uma pequena plantação, no terreno de nossa casa.





Encontrei esta imagem na rede. Fiz pequenas adaptações e iniciei o bordado. Fiz a moldura de bambu e fixei com cordão encerado. Concluí agora em outubro de 2015.
Presenteei o Rodrigo.
Exposições
CDE, em dezembro de 2012:
Semelhanças entre o Mosaico e a Tapeçaria de Recorte.
Usina do Gasômetro - 2012
Partindo de uma imagem da Usina do Gasômetro, vista do lago Guaíba, iniciei o trabalho.
Hoje o prédio abriga o Centro Cultural Usina do Gasômetro, localizado à beira do Lago (a maioria chama de rio) Guaíba, onde realizam-se várias atividades. Possui sala de cinema, salas de teatro e galerias. O térreo abriga espaço para exposições, feiras, oficinas e eventos diversos.
Inaugurada em 1928 para gerar energia elétrica para a cidade de Porto Alegre, através da queima de carvão mineral. A chaminé foi construída em 1937. A Usina foi desativada em 1974, sendo então, transformada no espaço cultural e aberta a população. Observa-se neste local um dos mais belos por-de-sol do mundo.
O visitante pode realizar passeio de barco para conhecer algumas ilhas
que compõem o delta do Jacuí, que é o encontro de vários rios, que formam o Lago Guaíba.
Vale muito à pena visitar este local.
Este trabalho, juntamente com outros, esteve exposto no Hotel Embaixador, de 20 à 27 de março, como parte das comemorações pelos 241 anos de Porto Alegre.
A exposição chamou-se:
Porto Alegre Ponto a Ponto.
Presenteei, com este trabalho, o nosso filho Rafael, que está trabalhando em Caxias do Sul,
cidade distante 130km da Capital.
Alguns detalhes:
Nas nuvens inseri pequenos tufos de paina de Paineiras (árvore muito alta e que possui espinhos em seu tronco). Os prédios do entorno da Usina foram mostrados em forma de silhueta. Acho que produziram um bom efeito. Ilustrando a paisagem inseri os armazéns onde funcionava o cais do porto e que serão revitalizados para outras atividades. Não poderia deixar de mostrar os biguás, ave muito comum neste local, andam em bando e que mergulham em busca dos peixes que ali estão.
Início do trabalho!

O Bicho - 2012
O Bicho é um poema de Manuel Bandeira escrito em 1947. É um poema tristemente belo, pois descreve de forma muito singela um problema crucial, muito anterior à data em que o autor escreveu-o, e que continua atingindo até hoje, grande parte da população, inobstante todo o desenvolvimento que o mundo experimenta. Escrevi estas letras, em uma espécie de bordado. O texto torna-se incompreensível, na trama de linhas que se formou no verso do trabalho. Assim como esta dívida: também incompreensível.
Por esta razão deixei à mostra.
Cobras - 2012
As cobras a seguir, desenhei-as entrelaçadas e foram sendo construídas, sobre uma base de tecido cru, com pequenos retalhos (algodão, tule, cetim, entre outros). O contorno dos répteis, foi feito com cordão de algodão costurado em ponto cordonê, assim como os retalhos que compõem as cabeças.
No verso, encaixado em uma pequena bainha, foi utilizada entretela (tecido encorpado e com goma) que adere ao tecido (dando-lhe firmeza), necessitando, para tanto, utilizar lentamente, o ferro de passar roupas, sobre o tecido. O contorno da frente da tapeçaria, foi feito em ponto russo, muito fácil de trabalhar. Os detalhes que compõem a tapeçaria foram feitos com linha mercerizada de algodão, multicolorida
e afixada com linha invisível.
A moldura foi feita em bambuzinho de jardim e envernizada.
O tecido foi preso com cordão encerado, através dos botões nos cantos do tecido.
Tema Livre - 2011
Primeiro trabalho: tema livre de primeira aula.
Fiz esta moldura de bambuzinho,
fixando o trabalho através de cordão encerado.


Releitura de Gaudi - 2011
Trabalho inspirado nos mosaicos de Gaudi.
Antoni Gaudi, arquiteto idealizador do Parque Guell, Barcelona, Espanha.
A professora Vera, fez um desafio e me trouxe um xerox desta imagem.
Finalizada a exposição de fim de ano, presenteei-a com este trabalho, que foi denominado Releitura de Gaudi.

Negrinho do Pastoreio - 2011
As imagens a seguir, mostram a evolução da composição.
A primeira e terceira imagens foram fotografadas em outubro de 2011, a segunda e quarta foram fotografadas em fins de novembro de 2011.
A evolução, que acho importante, foi o destaque da imagem principal:
o Negrinho e o Cavalo.
Como o cenário é noturno, a solução foi escurecer a paisagem. Foi usado o tule preto, parecido com o filó, porém mais maleável.
Recortei o tule, de forma a trazer a luminosidade da lua sobre
a imagem principal.
Como o trabalho estava evoluindo, a permanência do relho na mão do Negrinho, estava sendo considerada, pois a lenda fala do sofrimento do personagem, o que me leva a deduzir que
ele não açoitaria o animal.
-o-o-o-o-o-
A lenda do Negrinho do Pastoreio
O Negrinho do Pastoreio é uma lenda do folclore brasileiro surgida no Rio Grande do Sul. De origem africana, esta lenda surgiu no século XIX, período em que ainda havia escravidão no Brasil.
Esta lenda retrata muito bem a violência e injustiça impostas aos escravos.
De acordo com a lenda, havia um menino negro escravo, de quatorze anos, que possuía a tarefa de cuidar do pasto e dos cavalos de um rico fazendeiro. Porém, num determinado dia, o menino voltou do trabalho e foi acusado pelo patrão de ter perdido um dos cavalos. O fazendeiro mandou açoitar o menino, que teve que voltar ao pasto para recuperar o cavalo. Após horas procurando, não conseguiu encontrar o tal cavalo. Ao retornar á fazenda foi novamente castigado pelo fazendeiro. Desta vez, o patrão, para aumentar o castigo. colocou o menino pelado dentro de um formigueiro. No dia seguinte, o patrão foi ver a situação do menino escravo e ficou surpreso. O garoto estava livre, sem nenhum ferimento e montado no cavalo baio que havia sumido. Conta a lenda que foi um milagre que salvou o menino, que foi transformado num anjo.
Fonte:
http://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/negrinho_pastoreio.htm
-o-o-o-o-o-


Trabalho concluído!
O relho permaneceu na mão do Negrinho apenas como adereço.
Fiz a moldura de bambuzinho de jardim.
Ainda sobre a lenda:
Ate hoje em alguns lugares do país, quando as pessoas perdem algo acendem uma vela para o Negrinho do Pastoreio, acreditando que o garoto vai ajudar a achar o objeto perdido.
Neste endereço, http://www.youtube.com/watch?v=1DjxeCeGoH0 podemos ver e ouvir a belíssima interpretação da poesia de Luiz Carlos Barbosa Lessa, grande escritor e historiador gaúcho.
Joaninha - 2011
Há alguns dias, a professora Vera deu-me algumas folhas de uma árvore chamada Pata de Vaca, que além das propriedades medicinais, que dizem, tem a
forma de uma pata de vaca.
Dias atrás também, a Lourdes e eu, catando alguns resíduos na orla,
encontramos as carapaças deste pequeno siri.
Imaginei, na textura, uma joaninha, inseto muito bonito, e fiz a composição.
As folhas e as carapaças foram costuradas na base de tecido e a moldura foi feita com bambuzinho de jardim, e envernizada para conservação.
Trabalho concluído!
Costurei as sementes da árvore Pata de Vaca, no contorno da folha.
Marcadores: Tapeçaria de Recorte